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A HISTÓRIA DA KIZOMBA

A Kizomba é um género de música e dança com origem em Angola nos anos 80, através de uma banda que na altura pertencia às forças armadas populares de libertação de Angola (FAPLA), uma cultura que se estendeu mais tarde a Cabo Verde.

Reconhecido como um ritmo africano, o Kizomba surge num continente com um diverso historial musical, sendo que nos anos 50 e 60 já se ouvia falar das chamadas “kizombadas”, grandes festas onde se reuniam inúmeros estilos musicais angolanos como o Merengue, o Semba, a Maringa e o Caduque.

Na década de 70, essas festas passaram a ser dominadas por ritmos mais lentos, ligados sobretudo ao Semba, um estilo muito apreciado pelos jovens, que se desenvolveu numa mescla de ritmos – surgindo então o Kizomba.

Em Portugal, a palavra kizomba é utilizada para reconhecer qualquer estilo de musica Zouk, mesmo não sendo angolana, no entanto, esta é uma associação errada uma vez que este género de musica provém das Antilhas do início dos anos 80.

Devido às suas origens nas zonas urbanas dos Camarões, a semelhança ao Kizomba é óbvia e ambos os estilos se tornam difíceis de distinguir. Devemos ter em conta que Zouk não é o nome do estilo musical mas, devido ao desconhecimento das pessoas em relação ao crioulo, “zouk” era a palavra que se destacava, sendo que em português significa “A farra é o único medicamento que temos”.

O Kizomba tem outros significados – deriva da palavra Kimbundo, que significa festa; significa festa do povo, assim como a capoeira tiveram origem nas danças dos negros que resistiram à escravidão; congregação, confraternização, resistência; luta por liberdade e por justiça; instrumento musical, etc.

Em relação à estrutura musical, o Kizomba é marcado maioritariamente por uma batida forte dada por tambor grave como o Surdo (tambor), acompanhadas por uma melodia dada por um chimbal. Na introdução e durante as bridge, a batida forte é muitas vezes omitida, ficando apenas a melodia dada pelo chimbal e pelos outros instrumentos da bateria.

O zouk surge nas Antilhas no inicio da década de 1980 pela mão do grupo Kassav’, através de uma mistura entre o cadence, um género musical caribenho, e o makossa, um género musical originário das regiões urbanas do Camarões (daí o ser tão parecido ao kizomba[carece de fontes]), e aparece na Europa, onde se impõem com esse nome, em 1985 através da música “Zouk la sé sèl médicaman nou ni” que cunhou o estilo com o nome zouk. É de notar que zouk não era o nome do estilo musical, de facto os Kassav’ nunca tinham atribuído esse nome ao estilo que desenvolveram, significando zouk, em crioulo antilhano, “farra”. Por outras palavras o nome da música em português é “A farra é o único medicamento que temos”. Como em França pouca gente entendia o crioulo, e o nome que sobressaia do titulo era zouk, o estilo passou a ser assim conhecido.

É nesse contexto que muitos emigrantes cabo-verdianos em França tomam contacto com o zouk e misturam o zouk com a coladeira, criando o cola-zouk, um derivado muito semelhante ao kizomba e tipicamente cantado em crioulo de Cabo-verde. É este ritmo que se confundiu com a kizomba e que se ouve por Portugal quando Eduardo Paim aí chega e lança o seu primeiro disco com kizombas, sendo acusado de criar uma má imitação do zouk. Presentemente, nos países e comunidades lusófonas espalhadas pelo mundo, e devido ao facto de ser muito difícil distinguir entre zouk, cola-zouk e kizomba, todas esses estilos são chamados de kizombas, no entanto de uma forma rude e genérica pode-se dizer que zouk é cantado em francês, cola-zouk em crioulo de Cabo Verde e kizomba em português.

Kizomba é uma palavra do kimbundu (o quimbundo o kimbundo), uma das línguas de Angola, e significa encontro, confraternização. Kizomba também significa festa do povo, tendo o nome origem nas danças dos negros que resistiram à escravidão. Era congregação, confraternização, resistência. Um chamado à luta por liberdade e por justiça. Kizomba era festa e resistência cultural de um povo. Era a exaltação da vida e da liberdade. É de notar que esta interpretação da palavra kizomba e da sua origem no kimbundo é relatada já em 1894 no Bulletin of the American Geographical Society of New York.

Hoje em dia a kizomba tem tido muita adesão por europeus e americanos, e há uma tendência muito grande de angolanos profissionais na arte de dançar kizomba; estes emigram para essas partes do planeta por causa das oportunidades de emprego na área de docência nas escolas de dança. Já tem havido alguns concursos de kizomba em algumas discotecas da Europa e América porque o estilo tem tido muita expansão, tal como outros estilos, por causa do seu folclore cheio de ritmo.

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