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A HISTÓRIA DA REBITA

É um gênero de música e dança de salão angolana que demonstra a vaidade dos cavalheiros e o adorno das damas. Dançada em pares, a partir de coreografias coordenadas pelo chefe da roda, executam gestos de generosidades gesticulando a leveza das suas damas, marcando o compasso do passo da massemba.

O charme dos cavalheiros e a vaidade das damas são notórios; enquanto dança se vai desenvolvendo no salão as trocas de olhares, e os sorrisos entre o par são frequentes. É dançada em marcação de dois tempos, através da melodia da música e do ritmo dos instrumentos.

A rebita tem a sua origem mais directa na dança angolana que se chama semba (umbigada). Ao introduzirem o acordeão no semba surgiu a rebita, como explica Óscar Ribas, o ambiente campestre foi trocado pelo salão.

Segundo a opinião do músico angolano Liceu Vieira Dias, as origens da rebita remontam ao período das invasões francesas em Portugal quando um grande número de nobres portugueses se auto-exilaram em Luanda sem as suas mulheres e habituados a uma vida social influenciada pela cultura francesa, influenciaram os naturais do país. Por essa altura fundaram-se associações onde se organizavam bailes, tendo como base um tipo de movimentação coreográfica que é exactamente a do cotillonfrancês.

“Algumas figuras no desenvolvimento da dança que era colectiva eram comandadas (…) em francês: changer la dame, tourner a droite, tourner a gauche. Além disso, havia outras expressões francesas testemunhando a sua influência”. Ora, como bem sabemos, a nossa rebita possui este tipo de comandos.

Na rebita que se dançava no século XIX em Luanda, de acordo com documentos dessa época, as senhoras eram vistoriadas por uma “mais velha” do grupo. O objectivo era verificar se as damas não vinham só bonitas e luxuosas por fora, com panos garridos, mas certificar se a roupa interior também era digna de uma pessoa que frequentava um local de elite, como era a rebita.

Os cavalheiros também eram vistoriados por um “mais velho” do grupo, que observava se as peúgas dos cavalheiros estavam de facto em condições, se a camisola interior e outros utensílios de uso interno estavam em conformidade.

A rebita actualmente

Fundado há 61 anos, na Ilha de Luanda, o grupo “Novatos da Ilha” tem apostado na preservação e divulgação deste estilo de dança

O único grupo de dança rebita de Angola, “Novatos da Ilha de Luanda”, comemorou no sábado, 31 de Outubro, 61 anos de existência. Em seis décadas de vida o grupo tem passado por muitas dificuldades, ao ponto de hoje correr sérios riscos de desaparecer.

O fundador do grupo “Novatos da Ilha”, Bartolomeu Manuel Napoleão “Jaburú”, defendeu a pertinência de se divulgar mais o estilo rebita, pelo facto dela representar uma referência do mosaico cultural nacional

Insatisfeito, Cândido de Almeida, antigo bailarino do grupo, hoje aposentado, refere que muito ainda há por fazer para imortalizar a rebita, desde que haja vontade e empenho de todos, particularmente do Ministério da Cultura.

No passado, era dançada na rua, nas tardes de recreio e nas noites de luar, emigrando mais tarde para as guitarras virtuosas de Liceu Vieira Dias, José Maria e Nino Ndongo, por um processo de imitação rítmica da percussão, dando origem ao semba. “A verdade é que corre o risco de desaparecer como muitas outras manifestações culturais, caso não haja uma pronta intervenção”. Desabafa Horácio Dá Mesquita Vice Presidente dos “Novatos da Ilha.

O grupo de rebita Novatos da Ilha é o vencedor do Prémio Nacional de Cultura e Artes 2015 na categoria de dança.

O presidente do corpo de jurado, António Fonseca, informou que o grupo foi nomeado pelo trabalho que vem fazendo, já que ao longo do seu percurso tem conseguido não só preservar como também introduzir inovações nas suas coreografias, mantendo no entanto a estrutura base do género.

Fundado há 61 anos, na Ilha de Luanda, o grupo “Novatos da Ilha” tem apostado na preservação e divulgação deste estilo de dança e nos valores herdados dos antepassados, transmitindo-os a nova geração de bailarinos que vai-se inserindo no género.

A massemba, ou rebita, é uma dança popular de umbigada, executada por casais de dançarinos, é plural do semba, nome que veio a designar o género musical mais representativo da região de Luanda.

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